quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Expectativa...

O dia era interminável, levantava com o nascer do sol, ia para a escola e torcia para que na volta, ele estivesse descansando do almoço e assim eu o via na margem da estrada, sempre lá estava ele e seus companheiros, ele se deitava no monte de eucaliptos que estava à espera do caminhão pra ser carregado. O momento era único, me lembro perfeitamente do seu jeito, nem parece que já se passaram 24 anos e meio, a lembrança ainda continua bem acesa em minha mente, seu olhar, seu jeito...
Depois disso era esperar a noite chegar, podia estar como estivesse, nada me segurava em casa, a rua era o melhor lugar do mundo. Via quando ele chegava, tomava banho e vinha ao meu encontro, assim passávamos horas, saíamos andar por lugares que ficaram bem marcados em minha mente, conversávamos de como era a noite, até hoje me lembro dos momentos e de como o céu estava quando estava ao seu lado, quando vejo um céu no fim da tarde, meio avermelhado, ou com ar de chuva, um vento soprando com ar quente, ou o frio do inverno (quando pegava um cobertor para nos aquecer na rua) sempre me vem a lembrança dos momentos ao seu lado...
Um momento que me arrepia quando lembro, estávamos descendo, da tão famosa pedrona, vínhamos pela rua e quando chegou na esquina da casa grande havia umas flores penduradas no muro, ele pegou uma delas, deu um beijo e me ofereceu, neste momento começou tocar num carro a música de Zezé Di Camargo e Luciano- EU TE AMO. Esta música me faz lembrar claramente aquele momento, ele tinha uma camiseta verde claro onde havia um bichinho no ombro que eu adorava, ele tirou e me deu.
Todos estes momentos estavam registrados em um caderno, onde foi meu diário com ele, inclusive havia colado o bichinho e a flor nele também. Neste diário havia os melhores momentos de minha vida em 1992, foram meses que se tornaram anos, esta história dá um livro.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

de raiva a curisidade

Um belo dia estava subindo para a pracinha, para minha surpresa o vejo conversando com minha amiga, fiquei super chateada, imaginando que estava rolando algo entre eles, pois não havia comentado com ela o meu sentimento, mas com categoria passei por eles e os cumprimentei com toda educação que me ensinaram, sem demonstrar minha rejeição pelo fato no momento.
Após algum tempo ela chega na praça, sem que eu perguntasse algo, ela me diz que ele estava perguntando de mim. Uffa que alívio, a raiva passou a ser curiosidade. Queria saber tudo que conversaram, ela somente me disse para falar com ele, que me esperava ir ao seu encontro, porém o medo e a vergonha não consentiam este ato. Ela me contou do interesse por mim e que, ela sabia que eu também estava interessada em conhecê-lo. Ofereceu sua companhia para ir até onde ele estava. Pensei, repensei, calculei, viajei e decidi ir, ele me esperava no mesmo lugar onde conversavam a poucos minutos, uma varandinha numa casa antiga, onde hoje funciona um café, Dona Xica, imagina a minha emoção e o coração a mil por hora, nem palavras saía da boca para cumprimenta-lo, aliás ainda nem sabia seu nome...
Sentei no parapeito da varanda, assim como se estivesse toda segura e fiquei calada, pois só consegui dizer um OI. Ela ainda nos fez companhia por mais alguns minutos e subiu para se juntar ao restante do pessoal.
O momento mais longo e perfeito, eu calada de um lado e ele do outro. Até que um tomou a iniciativa de falar, adivinha quem?
Pois é, desta vez, ele começou a falar, me disse que tinha me visto várias vezes entrando na casa da minha amiga, me perguntou se eu morava lá. Então começamos a conversar coisas do dia a dia da gente, perguntei seu nome e me disse, Paulo Roberto, porém todos o chamava de Robertinho e assim ficou, Robertinho...
Assim foi nossa noite, conversamos sobre tudo um pouco, nos tornamos belos amantes da noite, pois à noite era nosso momento, quase todas de preferência, porém aos sábados ele ia embora pra sua cidade e o final de semana era longo, interminável, ficava a esperá-lo por horas sem fim. Somente o via na segunda-feira à noite...

tudo começou...

Tudo começou...

Em meados de 1992, eis que surge um fato, no qual nem mesmo eu acreditaria, duraria uma vida inteira, ou quase, pois não sei o dia de amanhã. No momento ainda permanece ativo em minhas lembranças.
Como pode uma pessoa, maravilhosa, perfeita, única, encantadora, mil qualidades, até o momento da verdade aparecer, entrar em sua vida e te fazer a pessoa mais feliz e sonhadora do mundo? Assim foi comigo, 18 anos, toda cheia de sonhos para o futuro, cheia de fantasias a realizar...
Essa pessoa chegou e penetrou em minha vida, vivemos dias maravilhosos. Lembro de muitos detalhes vividos entre nós e com nossos amigos da época, alguns ainda permanecem em minha vida, outros se foram, assim como ele.
Tudo começou no dia em que o vi passando na rua onde eu e minhas amigas sempre sentávamos para conversar no fim do dia. Passou entre os trabalhadores que haviam se mudado pra lá a poucos dias. No fim da tarde sempre iam até a quadra do centro, observei-o e senti algo ao qual não soube identificar, mas passou. Dias depois o vi novamente, então sempre dava um jeito de vê-lo em algum momento do dia.
Em frente onde eles moravam, também morava uma amiga de magistério, então tudo corria perfeito...